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A Era das Revoluções - Eric Hosbawm - Notas

Introdução

p. 19 - Começa de maneira muito legal e interessante: como os acontecimentos históricos influenciaram a língua. Surgimento de novos termos na língua, como "indústria", "greve" e "nacionalidade".

p. 21 - "Ideologia de uma crença no progresso individualista". Segundo Hobsbawm, isto era um fator que já existia em 1789, mas que foi determinante e se intensificou no processo.

p. 22 - (no último parágrafo): descrição da conquista do mundo todo (inclusive grandes impérios, como o chinês) pela burguesia européia. Como a revolução capitalista (simultaneamente a Revolução Industrial e a Revolução Francesa) modificaram o mundo como nunca visto.

Capítulo 1 - O mundo na década de 1780

1.2

p. 32 - Em 1789, o mundo era essencialmente rural. 90% - 97% em alguns países. "Grandes cidades" não tinham mais que alguns milhares de pessoas.

p. 34 - Havia uma separação "radical" entre cidade e campo. A cidade vivia dos víveres do campo, ao mesmo tempo em que os habitantes das cidades (mas não os que trabalhavam em trabalhos domésticos) os exploravam.

? p. 35 - Não entendi a analogia das cidades da época como "cidades-Estado" ou "cidades-livres". Qual o caráter das cidades na idade média e séc XVI?

1.3

p. 36 - estrutura fundiária do mundo:

  • Oeste da Europa: territórios além-mar: escravidão.
  • Lesta da Europa, sul da Itália e sul da Espanha: servidão.

1.4

p. 40 - No resto da Europa havia uma estrutura fundiária semelhante, com propriedade privada: "nobre" ou "gentil-homem".

p. 41 - A estrutura política era diferente da realidade econômica.

p. 42 - Descrição das cultura agrícolas da Europa.

p. 44 - Crescimento populacional muito grande.

1.5

p. 45 - Quem tinha "muito dinheiro" eram os "plantadores" (nabob) ou mercadores e armadores. A "classe-média" e os fabricantes viviam modestamente. Apesar do crescimento da mineração e fabricação, o mercador ou senhor feudal detinha o controle.

p. 46 - Explicação sobre os progressos científicos; concepção de ciência, ideias iluministas.

p. 49 - Muitos iluministas assumiram a proposição de que a sociedade livre seria a sociedade burguesa.

1.6

p. 51 - Por mais que "se falasse" em abolir as relações de servidão, isso não se deu ou só se deu em algumas propriedades. A abolição definitiva se deu com a Revolução Francesa e com a Revolução de 1848.

p. 52 - O que tornou os regimes tradicionais mais vulneráveis:

  • pressões das novas forças;
  • pressões dos interesses estabelecidos;
  • pressões dos inimigos estrangeiros.

1.7

p. 52 - Produto da dupla revolução: "domínio político e militar do mundo pela Europa". Hobsbawm descreve como a Europa ainda era isolada antes da dupla revolução.

Capítulo 2 - A revolução industrial

2.1

p. 60 - "(...) o mais importante acontecimento da história do mundo, pelo menos desde a invenção da agricultura e das cidades."

p. 64 - (ref. Pangloss, Voltaire) O grande triunfo da Revolução Industrial não foi a criação de artigos para uma demanda, mas a criação da própria demanda. (Calhou no consumismo desenfreado dos dias atuais?).

2.2

p. 67 - Relação indústria textil e mão-de-obra escrava para cultivo do algodão.

p. 68 - Potencial de mercado externo (comércio colonial) possibilitou o crescimento fantástico da exportação de tecidos de algodão, o que "puxou" o desenvolvimento da indústria têxtil.

p. 69 - A indústria britânica conseguiu o monopólio do comércio de tecidos.

p. 70 - Até a Revolução Industrial, a Europa importara mais do Oriente que o contrário.

2.3

p. 73 - Industria têxtil do algodão: principal setor de longe.

p. 74 - Primeira crise geral do capitalismo.

p. 75 - Ludistas: com o apoio dos fazendeiros, pequeno-burgueses, etc.

p. 76 - Os capistalistas descobrem a queda tendencial da taxa de lucro e as crises periódicas.

p. 79 - Os capitalistas não podiam diminuir os custos da matéria-prima. Diminuiram os salários dos operários.

2.4

p. 80 - Desenvolvimento da indústria de bens de capital, que...

p. 81 - ..."só passa a existir no curso de uma revolução industrial"

p. 82 - INvenção da ferrovia para atender a indústria de mineração de carvão.

2.5

p. 90 - Migração campo-cidade.

p. 91 - O processo de industrialização foi possível pela miséria absoluta do campesinato que forçou a migração em massa. O mesmo não aconteceu na França. Os EUA dependeram da imigração de outros países.

p. 91 - Adaptação do campesitano ao novo ritmo de trabalho ditado na indústria.

Capítulo 3 - A Revolução Francesa

3.1

p. 101 - Na França a monarquia era a mais forte da Europa, então, naturalmente, os conflitos sociais lá eram mais agudos.

"Bandeiras" burguesas:

  • Território unificado;
  • Comércio e empresas livres;
  • Administração eficiente.

p. 102 - A estrutura da nobreza na França.

p. 103 - A nobreza ocupava cada vez mais postos no Estado que eram da "classe média".

p. 104 - A França envolve-se na Guerra da Independência dos EUA, mas isso lhe custa muito caro.

p. 106 - (ref. A Fláuta Mágica, Mozart).

A Declaração dos Direitos era um documento que era contra a estrutura hierárquica de privilégios, mas não era um manifesto a favor de uma sociedade igualitária, expressando nitidamente seu caráter burguês.

p. 107 - O conceito de nação como um conceito revolucionário.

p. 112 - "O campesinato nunca fornece uma alternativa política para ninguém; apenas, de acordo com a ocasião, uma força quase irresistível ou um obstáculo quase irremovível." (Será que Hobsbawm não está sendo, aqui, muito determinista?).

3.2

p. 114 - Primeiras medidas da burguesia. Economicamente, elas eram inteiramente liberais, com políticas que prejudicaram os trabalhadores, como a proibição dos camponeses usarem as terras comuns e interdição nos sindicatos de trabalhadores urbanos.

p. 115 - 1792: Nova revolução, após o fortalecimento dos republicanos, crise econômica que atingia os mais pobres (devido ao descontrole da economia de livre mercado da burguesia).

? p. 117 - Guerra contra quem? Como derrubou a monarquia se ela estava fora?

Convenção Nacional: Os dominantes eram os girondinos.

(ref. Jane Austen).

p. 118 - O exército republicano era "incapaz e inseguro". Somente o fim da distinção entre civis e militares e o envolvimento total da nação possibilitaram o vencimento da guerra internamente. "As guerras levam a revoluções e que as revoluções vencem guerras de outro modo invencíveis."

3.3

p. 120 - Interessante descrição de como a França saiu de um país em crise (no início da Revolução - em 1793) para uma potência expansionista em 1794 e controlada sob governo burguês.

p. 122 - Abolição das colônias francesas: interesses políticos contra a Inglaterra.

3.4

p. 126 - Formas de governo da burguesia:

  • Diretório
  • Consulado
  • Império
  • Monarquia Bourbon
  • Monarquia Constitucional
  • República

p. 128 - O que permitiu ao exército revolucionário ser vitorioso: basicamente a coragem e iniciativa. Em vários outros aspectos (como o técnico) era muito inferior. Ótima descrição deste fenômeno (p. 127 e p. 128).

Descrição interessante sobre o processo de vitórias do exército de Napoleão.

p. 129 - Tentativa de explicação do mito napoleônico.

p. 131 - Realizações de Napoleão no mundo burguês:

  • Códigos, com excessão dos países anglo-saxões.
  • Hierarquia pública.

Capítulo 4 - A Guerra

4.1

p. 135 - Relação EUA-França (ref. Beethoven).

p. 137 - Jacobinismo em outros países.

4.2

p. 148 - Campanha de Napoleão na Rússia.

4.3

p. 149 - Instituição do Estado-Nação. No feudalismo a identidade territorial se dava mais no âmbito da propriedade do senhor feudal, cujo conjunto poderia compreender territórios de diversos tamanhos, inclusive alguns muito pequenos, e desconexos entre si.

O Estado-Nação, por sua vez, "é uma área ininterrupta e territorialmente coerente, com fronteiras claramente definidas, governada por uma só autoridade soberana e de acordo com um só sistema fundamental de administração e leis."

p. 152 - Além das mudanças territoriais, as mudanças institucionais, patrocinadas pela Revolução Francesa e império napoleônico, foram essenciais para o fim do feudalismo, já que os franceses governaram diretamente, como parte da França, vários estados. Ex.: código civil.

4.4

p. 156 - (ref. Jane Austen)

p. 157 - Alguns números sobre a guerra.

p. 159 - Instituição e desenvolvimento do papel-moeda.

p. 161 - Os desvios e recursos na guerra e em tempos de paz para fins bélicos.

p. 162 - Inflação (que beneficia os homens de negócio em detrimento dos salários).

Capítulo 5 - A Paz

5.1

p. 167 - "Nossa geração, que fracassou bem mais espetacularmente na fundamental tarefa da diplomacia internacional (...)"

p. 168 - Apesar das dificuldades do séc XIX, "não houve nenhuma guerra que envolvesse mais do que duas grandes potências entre 1815 e 1914."

p. 170 - Reestruturação das fronteiras europeias para beneficiar as potências que emergiram das guerras.

Capítulo 6 - As Revoluções

6.1

p. 183 - Apesar dos enormes esforços dos governos em deter as revoluções, nunca foram tão mal-sucedidos.

p. 184 - Três ondas revolucionárias. Descrição da independência na América Latina com os libertadores Simon Bolívar, San Martin e Bernardo O'Higgins. ref. Captain Hornblower, C.S. Forester.

p. 185 - Independência do Brasil. Reconhecimento dos EUA, Inglaterra e França.

p. 186 - Consolidação do poder burguês. A evolução do voto mais universal nos EUA (e na Europa). ref. Democracia na América, Alexis de Tocqueville.

p. 187 - 1830 como o ano mais notável do período:

  • industrialização e urbanização na Europa e nos EUA;
  • migrações humanas;
  • artes;
  • ideologia.

p. 188 - "Modelos revolucionários" presentes no período e frutos da Revolução Francesa:

  • liberal moderado;
  • democrata radical;
  • socialistas.

6.3

p. 190 - Restauração: 1815 - 1830. Ainda não havia socialistas ou revolucionários conscientes da classe operária, exceto na Grã-Bretanha, com o "cooperativismo" de Robert Owen. A classe trabalhadora na Inglaterra.

p. 191 - O programa em torno do qual a classe trabalhadora se levantava era basicamente o mesmo da burguesia progressista. A preparação para a revolução. Posição social de seus idealizadores. "a frente unida do absolutismo praticamente eliminava a possibilidade de uma reforma pacífica na maior parte da Europa."

p. 194 - Vitória de algumas revoluções. Modelo de sucesso na Grécia. Derrota dos Bourbon na França. Surgimento cada vez maior da "classe operária".

p. 196 - Diferenças das revoluções nos diferentes países.

p. 197 - Frentes entre moderados e radicais. Traições pelo poder. Setores liberais devem "suprimir a esquerda radical". A burguesia está se tornando conservadora?

p. 199 - O nacionalismo e a "nova moda do Romantismo".

6.4

p. 200 - A mobilização das massas (pobres e camponeses) nos países da América ou não era perigoso (EUA?) ou não era sequer cogitado (representava um perigo mesmo para a burguesia?). Mas era uma realidade difícil de ser evitada na Europa. Descontentamento urbano geral. A classe operária na França e Inglaterra. Seu amadurecimento na Inglaterra.

p. 201 - Derrotas das organizações dos primeiros socialistas, sob o cooperativismo de Owen.

p. 202 - Na França, a classe operária não estava tão organizada.

p. 203 - Socialismo utópico. Na França, havia a forte tradição do babovismo e jacobinismo de esquerda, que em grande parte se tornaria comunista após 1830. Blanquismo: o proletariado seria o arquiteto do socialismo e a classe média (não a burguesia) seu inimigo. "ditadura do proletariado" - termo de cunhagem blanquista.

p. 205 - Identidade da pequena burguesia: "Por sua origem modesta, simpatizavam com os pobres contra os ricos; como pequenos proprietários simpatizavam com os ricos contra os pobres."

p. 206 - Campesinato.

p. 209 - Caráter dos movimentos revolucionários de 1830 a 1848. Sobre a tradição da organização e agitação de massas. Tiragem dos jornais. A agitação legal da extrema esquerda era permitida somente exporadicamente. Suas organizações eram muitas vezes ilegais.

p. 210 - Campanhas públicas para pressionar governos especialmente na Grã-Bretanha. Liga dos comunistas. Composição social das organizações de esquerda: cada vez mais proletárias.

p. 211 - Antigos aliados contra a nobreza entrariam em conflito entre si: burgueses e proletários. O Manifesto do Partido Comunista.

p. 212 - Importância das capitais durante o período revolucionário. Após 1848 houve o replanejamento das capitais para facilitar a operação de tropas contra os revolucionários.

p. 213 - O internacionalismo.

p. 214 - Garibaldi.

Cap. 7 - A Nacionalidade

7.1

p. 220 - As classes empresariais eram um elemento pouco nacionalista. Nos grandes impérios multinacionais, por exemplo, até se beneficiavam dos grandes mercados abertos.

p. 221 - Proponentes principais do nacionalismo: "camadas médias e inferiores das categorias profissionais".

p. 223 - Desenvolvimento linguístico e evolução nacional.

p. 224 - "O analfabetismo não se constutui em um obstáculo à consciência política". Relação nacionalidade e religião.

p. 225 - "Desenraizamento dos povos (...) destruiria este profundo e antigo tradicionalismo local". O fenômeno da migração e emigração.

7.2

p. 227 - Nacionalismo na Índia.

p. 228 - Nacionalismo no mundo árabe. Nacionalismo nos bálcans.

p. 229 - Concepção de Iugoslávia.

p. 230 - Nacionalismo na Grécia.

p. 232 - América Latina. Símon Bolívar e San Martin.

p. 233 - "as revoluções latino-americanas foram obra de pequenos grupos de aristocratas, soldados e elites afrancesadas." Mundo eslavo.

p. 235 - "O nacionalismo no Oriente foi, portanto, um produto, enfim, da influência e da conquista ocidental." Egito.

Important

A partir daqui, utilizando a 10a edição da Ed. Paz e Terra

Cap. 8 - A Terra

8.I

p. 167 - "(...) o impacto da revolução dupla sobre a propriedade e o aluguel da terra e sobre a agricultura foi o mais catastrófico fenômeno do período."

p. 168 - Três bases da transformação: que possibilitaria a exploração da terra pela empresa privada em busca de lucro. 1. transformação da terra em mercadoria. 2. "(...) passar a ser propriedade de uma classe de homens desejosos de desenvolver seus recursos produtivos para o mercado (...)". 3. "(...) a grande massa da população rural tinha que ser transformada (...) em trabalhadores assalariados, com liberdade de movimento, para o crescente setor não agrícola da economia." Solução para eliminação das classes dos antigos proprietários e camponeses nos diferentes países.

p. 169 - Conflitos entre peles-vermelhas e brancos na expansão dos EUA.

p. 170 - Transformação da terra em mercadoria. Fim das grandes propriedades coletivas. ATaque às terras das igrejas. Transformação dos camponeses em burgueses (minoria) ou proletários.

p. 172 - Lei dos pobres na Inglaterra. Impossibilitou a vida dos pobres no campo, forçando a migração em massa à cidade.

p. 174 - Evolução da transformação da propriedade da terra: beneficia os proprietários de herdades e alguns camponeses mas a grande maioria de camponeses estavam na miséria e se transformaram em trabalhadores rurais sem terra.

p. 175 - Terras da Igreja.

p. 176 - A falha da teoria econômica liberal em esperar que a reforma agrária criaria uma classe de senhores ou fazendeiros empreendedores. No geral, o feudalismo tradicional foi substituído por outro: o latifúndio, com o agravante de destruir a identidade do camponês com a terra.

8.III

p. 177 - Base econômica (garantias econômicas precárias) e ideológicas do antigo regime Como a revolução legal retirou direitos que o camponês tinha no feudalismo que impossibilitaram sua permanência no campo. Resistência dos camponeses ao novo sistema. Contra-revolução em alguns locais, juntamente com o "sub-proletariado".

p. 178 - Mais resistência ou ofensiva do campesinato. Garibaldi.

8.IV

p. 179 - A revolução nas futuras colônias (povos conquistados). Argélia. Conflitos com a ordem social vigente: medieval com uma estrutura fundiária complexa.

p. 180 - Colonização na Índia. As diferentes tentativas que o domínio britânico fez para taxar e/ou mudar o caráter da propriedade da terra.

p. 183 - América Latina. Os colonizadores (Portugal e Espanha), com sua visão feudal não ameaçaram diretamente a estrutura de terras comunais dos indígenas desde que pudessem "abocanhar" as extensões que quisessem. Os governos independentes foram mais eficientes na aplicação da individualização da terra, principalmente após 1850. Bolívar.

8.V

p. 183 - de 1789 a 1848 o aspecto econômico da revolução da propriedade de terras teve pouco efeito. Ainda não havia sido criado um mercado agrícola. A competição industrial não havia afetado as manufaturas das aldeias.

p. 184 - Colonização da Índia: desindustrialização de suas manufaturas. Transformação de um país exportador de produtos de algodão para um país agrícola. Irlanda.

p. 185 - Consequências da catástrofe na Irlanda, a maior catástrofe da história europeia no período analisado. Na Inglaterra, a situação do trabalhador piorara desde 1790. Série de revoltas "débeis e ignorantes" dos trabalhadores.

p. 190 - Lei dos pobres.

Capítulo 9 - Rumo a um mundo industrial

9.I

p. 187 - Em 1840 o único país efetivamente industrializado era a Inglaterra.

p. 188 - Os movimentos econômicos continuaram a serem definidos pelo mundo agrário até a crise de 1857. De 1789 a 1848 as mudanças foram pequenas, mas as mudanças fundamentais estavam acontecendo. Primeira mudança: Explosão demográfica.

p. 189 - Segunda mudança: Comunicações. Aumento das redes de transporte.

p. 191 - Terceira mudança: Volume do comércio e emigração.

9.II

p. 191 - Ponto chave: "depois de 1830 (...) o ritmo da mudança social e econômica acelerou-se visível e rapidamente."

p. 192 - Com a mudança rápida e drástica no ritmo das coisas, surgimento dos "problemas característicos do industrialismo - o novo proletariado, os horrores da incontrolável urbanização - se transformarem no lugar-comum de sérias discussões na Europa Ocidental e no pesadelo dos políticos e administradores."

p. 194 - Dificuldades no avanço da industrialização fora da Inglaterra. Goethe "era um homem muito rico" (sobre o esquecimento desse fato quando analisado o padrão de vida na Alemanha nesse período.

p. 196 - Cerne do desenvolvimento legal e financeiro que incentivaram a industrialização.

9.III

p. 196 - Apesar de todas as condições objetivas e subjetivas, a França nunca se tornou uma potência industrial como a Inglaterra, EUA e Alemanha.

p. 197 - Explicação para este fenômeno: não havia grande emigração; não havia mercado consumidor interno; era mais lucrativo financiar empresas estrangeiras que as internas, etc. Os EUA, ao contrário, desenvolveram-se assustadoramente apesar de todas as dificuldades.

p. 198 - Conflito norte-sul nos EUA.

p. 199 - Pouco desenvolvimento no restante da Europa. A desigualdade entre os países foi parte do desenvolvimento do capitalismo. A oferta de produtos industrializados baratos impediu que a indústria nacional se desenvolvesse em vários países, e que se tornasse exportadores de produtos agrícolas e talvez minérios.

p. 200 - "De todas as consequências econômicas da época da revolução dupla, esta divisão entre os países 'adiantados' e os 'subdesenvolvidos' provou ser a mais profunda e a mais duradoura (...)"

Capítulo 10 - A carreira aberta ao talento

10.I

p. 203 - "O principal resultado da Revolução na França foi por fim à sociedade aristocrática. (...) As sociedades construídas sobre o carreirismo individual saúdam estas marcas de sucesso visíveis e estabelecidas. (...) O fim da sociedade aristocrática também não significou o fim da influência aristocrática. As classes em ascensão naturalmente tendem a ver os símbolos de sua riqueza e poder em termos daquilo que seus antigos grupos superiores tinham estabelecido como os padrões de conforto, luxo e pompa."

p. 204 - A nova prosa literária francesa. Como a Revolução Russa também preservou traços aristocráticos. Balzac. Stendhal.

p. 205 - Invenção do termo "gastronômico" e do formato de jornal como conhecemos hoje. Invenção da moda, lojas, vitrine. Balzac.

p. 206 - Efeitos da revolução industrial na sociedade burguesa.

p. 207 - História do self-made man. Charles Dickens. Argumentos "divinos" para justificar a existência das classes.

p. 208 - Charles Dickens.

p. 210 - Utilitarismo burguês. Local de moradia dos trabalhadores (próximos às fábricas) e dos burgueses (longe delas). Os homens burgueses e suas mulheres.

10.II

p. 211 - Possibilidades de ascensão, não existentes nas sociedades pré-capitalistas. "Os que desejavam viajar nesses caminhos tinham que pagar um pedágio: sem alguns recursos iniciais, ainda que mínimos, era difícil entrar na auto-estrada do sucesso."

p. 212 - A educação parecia um caminho mais viável para a ascensão que o negócios, pois exigia mudanças menos abruptas aos homens. Também não se exigia a postura tão anti-social como no caso dos homens de negócios, com sua nova e "estranha arte de ganhar dinheiro." A meritocracia e a criação das "hierarquias paralelas de exames" que selecionam a elite intelectual francesa. Ótima explicação de Hobsbawm de como a meritocracia não foi aceita como uma medida democrática de seleção de pessoas em democracias bem desenvolvidas, como no caso dos EUA, apesar de ter sido aceita no resto do mundo.

p. 213 - "(...) como outras formas de competição individualista, prestar exame era um recurso liberal, mas não democrático ou igualitário." O crescente serviço público e a criação uma burocracia que contrastava com "a 'sociedade aberta' da livre competição comercial."

p. 214 - O liberalismo não é hostil à burocracia, apenas à burocracia ineficaz. Seć. XIX, o Estado com forças políticas modernas e nacionais tomara forma em vários países da Europa.

p. 215 - Dickens. Gogol. Perfil dos funcionários públicos que, apesar de terem uma vida modesta, estavam muito acima dos trabalhadores pobres. "Seu trabalho não exigia esforço físico."

p. 216 - O crescimento do número de professores e sistema educacional. A educação como esperança para os pobres. A carreira dos negócios.

10.III

p. 217 - Os judeus.

p. 218 - Karl Marx.

p. 219 - Facilidade dos judeus de se ajustar à nova sociedade. Dificuldades de outros povos a esse ajuste. "O mundo da classe média estava livremente aberto a todos. Portanto, os que não conseguiam cruzar seus umbrais demonstravam uma falta de inteligência pessoal, de força moral ou de energia que, automaticamente, os condenava (...)"

Capítulo 11 - Os trabalhadores pobres

11.I

p. 221 - Possibilidades aos pobres não mais protegidos na sociedade tradicional: tornarem-se burgueses, serem explorados ou rebelarem-se.

p. 222 - Resistência à sociedade burguesa, pois suas propostas "estavam de braços dados com a desumanidade".

p. 223 - Destruição das máquinas. Ausência de direitos trabalhistas. Condições dos trabalhadores pobres "empobrecidos, explorados, jogados em cortiços onde se misturavam o frio e a imundície, ou nos extensos complexos de aldeias industriais de pequena escala, mergulhadas na total desmoralização."

p. 224 - Outros exemplos das condições sociais dos trabalhadores. Alcoolismo. Desenvolvimento urbano. "Em nosso período, o desenvolvimento urbano foi um gigantesco processo de segregação de classes, que empurrava os novos trabalhadores pobres para as grandes concentrações de miséria alijadas dos centros do governo e dos negócios, e das novas áreas residenciais da burguesia."

p. 225 - Reconstrução urbana em 1848, após doenças atingirem os ricos e risco de revolução social. O fortalecimento e papel da religião. "Todas estas formas de distorções do comportamento social (...). Eram tentativas de escapar do destino de ser um trabalhador pobre (...). Os que acreditavam na ressurreição (...) desviavam os olhos das condições da coletividade e se sentiam apáticos em relação à possibilidade de uma ação coletiva."

11.II

p. 226 - Rebeliões. Surgimento dos movimentos trabalhistas e socialistas. Revolução de 1848. Malthus. Pobreza urbana. Pobreza no campo. A fome europeia de 1846-8.

p. 227 - Deterioração crescente da classe trabalhadora no período.

p. 228 - As condições dos trabalhadores urbanos e industriais eram piores que dos trabalhadores rurais a ponto dos primeiros terem uma expectativa de vida que fosse metade da dos últimos. Doenças dos trabalhadores urbanos. Desemprego.

p. 229 - Transformação dos artesãos em operários.

11.III

p. 230 - Movimento operário.

p. 231 - Construção do conceito "classe trabalhadora". Consciência jacobina.

p. 232 - Modelos de organização precoces da classe trabalhadora. Sindicatos. Inexperiência das primeiras formas organizadas de luta operária.

p. 233 - "(...) a tradição jacobina ganhou solidez e continuidade sem precedentes e penetração nas massas a partir da coesiva solidariedade e da lealdade que eram características do novo proletariado. Os proletários não se mantinham unidos pelo simples fato de serem pobres e estarem num mesmo lugar, mas pelo fato de que trabalhar junto e em grande número, colaborando uns com os outros numa mesma tarefa e apoiando-se mutuamente constituía sua própria vida. A solidariedade inquebrantável era sua única arma, pois somente assim eles poderiam demonstrar seu modesto mas decisivo ser coletivo. 'Não ser furador de greve' (ou palavras de efeito semelhante) era - e continuou sendo - o primeiro mandamento de seu código moral; aquele que deixasse de ser solidário tornava-se o Judas de sua comunidade."

p. 234 - Composição do movimento trabalhista da época.

p. 235 - A liderança do movimento trabalhista e os primeiros sindicatos eram constituídos não de trabalhadores pobres, mas de artesãos que estavam sofrendo ataques devido ao avanço da indústria. "O movimento trabalhista foi uma organização de autodefesa, de protesto e de revolução. Mas para os trabalhadores pobres era mais do que um instrumento de luta: era também um modo de vida (...) Nada podiam esperar do tipo de vida para o qual eles eram crescentemente arrastados. Mas o movimento tinha a ver com este tipo de vida, ou melhor, a vida que eles mesmos criaram para si e que era coletiva, comunal, combativa, idealista e isolada implicava o movimento, pois a luta era a sua própria essência. E em troca o movimento lhe dava coerência e propósito. O mito liberal supunha que os sindicatos eram compostos de trabalhadores imprestáveis instigados por agitadores sem consciência, mas na realidade os imprestáveis eram os menos sindicalizados, enquanto que os mais inteligentes e competentes eram os mais firmes em se apoio aos sindicatos." O avanço da indústria e que "minava a força destes primeiros movimentos trabalhistas."

11.V

p. 236 - Sobre a falta de organização e maturidade do movimento.

Capítulo 12 - A Ideologia Religiosa

12.I

p. 239 - "De todas as mudanças ideológicas, esta é de longe a mais profunda (...)"

p. 240 - A indiferença religiosa dos senhores e dos homens polidos e instruídos já era comum. As mulheres destes, apesar disso, reproduziam a ideologia religiosa. Florescimento da maçonaria. Entretanto, estas mudanças não afetavam os escalões mais baixos ou médios.

p. 241 - A ideologia de um iluminismo antitradicional, progressista e racionalista se encaixava perfeitamente no esquema da ascendente classe média.

p. 244 - A análise histórica das escrituras. O avanço da ciência. Charles Darwin.

12.II

p. 244 - Crescimento do islamismo e das seitas protestantes.

p. 245 - Islamismo. Expansão no Oriente, como na Indonésia e nas costas do Oceano Índico, para o interior do continente. "Quando sociedades tradicionais mudam algo tão fundamental como sua religião, é claro que elas devem estar enfrentando novos e maiores problemas." Os fatores que contribuíram para a expansão do islamismo. "O comércio de escravos, que arruinava a vida comunitária, tornava-o atraente, pois o islamismo é um poderoso meio de reintegração das estruturas sociais."

p. 246 - Islamismo na Ásia. Movimentos de reforma e renovação dentro do Islamismo. Wahabismo. Mohammed Ali.

p. 247 - Expansão do protestantismo.

p. 248 - Nos países protestantes, o impacto da sociedade individualista e comercial foi mais forte (pelo menos na Grã-Bretanha e nos EUA).

p. 249 - A "pregação de caráter amadorista", com "sua hostilidade ao elaborado ritual e à doutrinação erudita". Elementos do protestantismo encontrados inclusive hoje. "(...) sua associação com a emocionante e subjugadora 'conversão' pessoal abriu caminho para uma 'restauração' religiosa massiva de intensidade histórica, na qual os homens e as mulheres poderiam encontrar um bem-vindo relaxamento das tensões de uma sociedade que não proporcionava outras saídas equivalentes para as emoções das massas, e destruía as que tinham existido no passado."

p. 251 - Feuerbach. Marx. "(...) este retorno à religião militante, literal e ultrapassada tinha três aspectos. Para as massas, era, principalmente, um método de luta contra a sociedade cada vez mais fria, desumana e tirânica do liberalismo da classe média (...) era uma tentativa de criar instituições políticas, sociais e educacionais em um ambiente que não proporcionava nenhuma delas."

p. 252 - Relação poder (Estado) e religião. "Para os governos conservadores depois de 1815 (...) o encorajamento dos sentimentos religiosos e das igrejas era uma parte tão indispensável da política quanto a organização da política e da censura: o sacerdote, o policial e o censor eram agora os três principais apoios da reação contra a revolução." Kierkegaard. Santa Aliança (Rússia, Áustria e Prússia).

Capítulo 13 - A Ideologia Secular

13.I

p. 256 - Até 1789 a formulação mais avançada da ideologia do progresso era o liberalismo clássico burguês. "Ela era rigorosamente racionalista e secular, isto é, convencida da capacidade dos homens em princípio para compreender tudo e solucionar todos os problemas pelo uso da razão, e convencida também da tendência obscurantista das instituições (...) Suas hipóteses gerais sobre o mundo e o homem estavam marcadas por um penetrante individualismo, que se devia mais à introspecção dos indivíduos da classe média ou à observação de seu comportamento do que aos princípios a priori nos quais declarava estar fundamentada (...)". "Em poucas palavras, para o liberalismo clássico, o mundo humano estava constituído de átomos individuais com certas paixões e necessidades, cada uma procurando acima de tudo aumentar ao máximo suas satisfações e diminuir seus desprazeres, nisto igual a todos os outros, e naturalmente não reconhecendo limites ou direitos de interferência em suas pretensões (...)"

"No curso da busca desta vantagem pessoal, cada indivíduo nesta anarquia de competidores iguais achava vantajoso ou inevitável entrar em certos tipos de relações com outros indivíduos, e este complexo de acordos úteis - constantemente expressos na terminologia francamente comercial do 'contrato' - constituía a sociedade e os grupos políticos ou sociais (...)". ref. Robinson Crusoe. "Os objetivos sociais eram, portanto, a soma aritmética dos objetivos industriais. A felicidade (um termo que deu a seus definidores quase tantos problemas quanto a seus perseguidores) era o supremo objetivo de cada indivíduo; a maior felicidades do maior número de pessoas era claramente o objetivo da sociedade." Thomas Hobbes. Como esta concepção não contrastava a concepção de Estado.

p. 258 - John Locke. Adam Smith. David Ricardo.

p. 259 - O argumento social de Adam Smith. A visão do progresso "(...) começou a tropeçar não só porque Ricardo descobrira contradições do sistema que Smith preconizara, mas porque os verdadeiros resultados sociais e econômicos do capitalismo provaram ser menos felizes do que tinham sido previstos (...)"

p. 260 - Problemas e falhas do liberalismo clássico. Malthus. A obra de David Ricardo. Tendência para o declínio da taxa de lucro.

p. 261 - Os trabalhadores pobres. O perigo da democracia. Contradição do liberalismo.

p. 262 - Como movimentos revolucionários e ideologias socialistas do período intensificaram o dilema de uma república democrática. "O liberalismo e a democracia pareciam mais adversários que aliados." Tocqueville. James Mill. James Stuart Mill.

13.II

p. 262 - Socialismo. "O que distinguia os socialistas de nosso período dos paladinos de uma sociedade perfeita de propriedade comum, que periodicamente aparecem na literatura ao longo da história, era a aceitação incondicional da revolução industrial que criava a verdadeira possibilidade do socialismo moderno."

p. 263 - Felicidade: ideia nova na Europa. Felicidade do maior número de pessoas: a felicidade do trabalhador pobre. Ricardo.

p. 264 - Owen. Manifesto do Partido Comunista. "'contradições internas'" do capitalismo. "flutuações ou 'crises' do capitalismo". "(...) podiam demonstrar não só que o capitalismo era injusto, mas que parecia funcionar mal e, na medida em que funcionava, produzia resultados opostas aos que tinham sido previstos por seus defensores." "Um mundo no qual todos fossem felizes e no qual reinasse a liberdade e do qual desaparecesse o governo coercitivo era o objetivo máximo de liberais e socialistas." A respeito dos métodos para alcançá-lo é no que "(...) o socialismo se separava da tradição clássica liberal." "(...) rompia radicalmente com a suposição liberal de que a sociedade de seus átomos individuais e que sua força motriz estava no interesse próprio e na competição."

p. 265 - O socialismo utópico acreditava que a simples propaganda de seus ideais bastava para que os "instruídos" o defendesse. Essa crença não se diferenciava muito do que propunha os defensores do liberalismo clássico.

p. 266 - O socialismo, Marx e o marxismo.

13.III

p. 267 - A nostalgia dos velhos regimes. O que defendiam os que eram contra a ordem atual.

13.IV

p. 269 - Rousseau. Sobre as más interpretações de Rousseau.

p. 270 - Filosofia alemã. Liberalismo aleão. Goethe. A diferença do pensamento alemão no período com relação ao resto da Europa.

Capítulo 14 - As Artes

14.I

p. 275 - Florescimento das artes no período. Beethoven, Schubert, Goethe, Dickens, Dostoievsky, Verdi, Wagner, Mozart, Goya, Pushkin, Balzac. Muitas referências nas páginas seguintes.

p. 276 - David: Retrato de Madame Recamier. Goya: Retrato da Família do Rei Carlos IV. Walter Scott. Victor Hugo. Delacroix: O massacre de Chios. Constable: Carreta de Feno. Gogol, Pushkin, Balzac, Alexandre Dumas. Goethe. "Na primeira metade do século XIX, a literatura e a música russas surgiram repentinamente como uma força mundial, assim como, de maneira bem mais modesta, aconteceu com a literatura americana (...)". Fenimore Cooper, Poe, Melville.

p. 277 - "(...) desenvolvimento de certas artes e gêneros. A literatura, por exemplo, e dentro dela o romance." Stendhal, Balzac, Jane Austen, Dickens, Thackeray, irmãs Brontë, Gogol, Dostoievsky, Turguenev.

p. 278 - "Neste período, sem dúvida, os artistas eram diretamente inspirados e envolvidos pelos assuntos públicos." Mozart (sua ópera "A fláuta mágica" como uma ópera propagandística para a altamente política maçonaria". Goethe, Dickens, Dostoievsky. "(...) toda a Comédia Humana de Balzac é um monumento de consciência social." "Nunca foi menos verdadeiro definir os artistas criativos como 'não comprometidos'. Os que assim o faziam, os gentis decoradores de palácios rococó e vestiários de senhoras, ou os fornecedores de peças às coleções dos milordes ingleses visitantes, foram precisamente aqueles cuja arte definhou. (...) Mesmo sendo a arte aparentemente menos política, a música, teve as mais fortes vinculações políticas." A relação entre desenvolvimento das artes, principalmente música e literatura, e nacionalismo, em especial na Alemanha, Rússia, Polônia e Hungria.

p. 279 - Artes mais ligadas às classes dirigentes, como artes plásticas, refletiam menos os acontecimentos nacionais.

14.II

p. 280 - Romantismo. "Mas mesmo as artes de uma minoria social ainda podem fazer ecoar o trovão dos terremotos que abalam toda a humanidade. Assim ocorreu com a literatura e as artes de nosso período, e o resultado foi o 'romantismo'. (...) nada é mais difícil de definir ou mesmo de descrever em termos de análise formal; nem mesmo o 'classicismo' contra o qual o 'romantismo' assegurava erguer a bandeira da revolta." "(...) o romantismo surgiu como uma tendência militante e consciênte das artes, na Grã-Bretanha, França e Alemanha, por volta de 1800, e em uma área bem maior da ampla Europa e da América do Norte depois da Batalha de Waterloo. (...) Provavelmente, a era revolucionária de 1830-1848 assistiu a maior voga europeia do romantismo."

p. 281 - Artistas que tinham mais ou menos elementos românticos. Alcance social (classe média) do romantismo à época.

p. 282 - A juventude dos artistas do período romântico. O contraste da sociedade que servia de inspiração: "(...) um mundo na teoria totalmente aberto ao talento e, na prática, com cósmica injustiça, monopolizado pelos burocratas sem alma e barrigudos filisteus (...) As sombras da prisão - o casamento, a carreira respeitável, a absorção filisteísmo - envolvia-os, e os pássaros da noite na forma de seus antecessores lhes agouravam." A invenção do "gênio" como fenômeno à figura do "artista apartado de uma função reconhecida" e vendo sua obra reduzida a mercadoria. "Era simplesmente natural que se considerasse um gênio, que criasse somente aquilo que levava dentro de si, sem consideração pelo mundo e como desafio a um público cujo único direito em relação a ele era aceitá-lo em seus próprios termos ou rejeitá-lo de todo."

p. 284 - "(...) a burguesia estava mais engajada em acumular dinheiro do que em gastá-lo. Os gênios eram, portanto, em geral, não só incompreendidos mas também pobres. E a maioria deles revolucionários."

14.III

p. 285 - Como os poetas enxergavam o avanço da industrialização. "A crítica romântica do mundo, embora mal definida, não era portanto desprezível." "A ansiedade que se convertia em obsessão era a recuperação da unidade perdida entre o homem e a natureza. O mundo burguês era profunda e deliberadamente anti-social". Quebrou os laços sociais que ligavam os homens aos seus "superiores naturais", e deixou o individualismo puro e cru.

p. 286 - A reação conservadora (românticos da reação) ao avanço do capitalismo.

p. 287 - "Medievalismo". Walter Scott. "Medievalismo de esquerda". Michelet. Relações com a busca da tradição do Oriente. Sir William Jones.

14.IV

p. 288 - O primitivismo romântico. Buscava no "povo" pré-capitalista (camponeses, artesãos, etc.) sua inspiração. Coleta de informações folclóricas. Walter Scott. Grimm.

p. 289 - Delacroix. Byron. Moby Dick. Fenimore Cooper.

p. 290 - Os artistas românticos e a Revolução Burguesa. "A segunda geração de românticos britânicos" Byron, Keats, Shelley "foi assim, a primeira a combinar o romantismo e o revolucionarismo ativo: os desapontamentos da Revolução Francesa, inesquecidos pela maioria de seus antepassados, empalideciam ao lado dos viíveis horrores da transformação capitalista em seu próprio país. No continente europeu, a ligação entre a arte romântica e a revolução antecipada na década de 1820 só se tornou realidade durante e depois da Revolução Francesa de 1830." Delacroix, liberdade nas barricadas.

p. 291 - Maçonaria. Daumier: Massacre na Rue Transnonain. Victor Hugo: Hernani. Chopin: Lenau. "Vários artistas se tornaram figuras políticas (...)". Irmãos Grimm, Heine.

p. 292 - Michelet. Carlyle. Teorias estéticas. A aproximação com o socialismo. Os "movimentos marxistas" e o "realismo socialista". "'A arte pelo prazer da arte', (...) ainda não podia competir com a arte para o bem da humanidade ou para o bem das nações e do proletariado. Só depois que as revoluções de 1848 tinham destruído as esperanças românticas do grande renascimento do homem, foi que o esteticismo autocontido de alguns artistas aflorou. A evolução de algumas figuras de 1848, como Baudelaire e Flaubert, ilustra esta mudança política e estética, e a Educação Sentimental de Flaubert permanece sendo seu maior êxito literário. Somente em países como a Rússia onde a desilusão de 1848 não ocorreu (talvez porque na Rússia 1848 não houve), as artes continuaram a ser socialmente comprometidas ou preocupadas como anteriormente.

14.V

p. 293 - Apesar do romantismo, o "(...) estilo fundamental da vida e da arte aristocrática permanecia enraizado no século XVIII (...)". A supremacia da Grã-Bretanha e o padrão cultural. O dandy. A classe média.

p. 294 - Arquitetura. Decoração de interiores. Estilo Biedermeier. Entrada do romantismo na cultura da classe média: "(...) principalmente através do aumento dos devaneios entre as mulheres da família burguesa. Exibir a capacidade do homem em prover o sustento da família para mantê-la numa sociedade insuportável foi uma de suas principais funções sociais (...)".

p. 295 - Ingres. Moda feminina. Goya: A duquesa de Alba. O burguês romântico. "Mas, em seu conjunto, a cultura burguesa não era romântica."

p. 296 - "(...) nos centros da sociedade burguesa avançada, as artes como um todo vinham em segundo lugar em relação às ciências."

14.VI

p. 297 - No campo, pouco mudou. Na sociedade industrial, permanência das canções folclóricas, apesar das transformações. Canções folclóricas industriais. "Mas a adaptação de antigas canções folclóricas à vida industrial não sobreviveria (exceto nos Estados Unidos da América) ao ímpeto da era das ferrovias e do ferro, e as comunidades de velhos homens qualificados (...) tampouco sobreviveria ao avanço da fábrica e da máquina. Depois de 1840, cairiam em ruínas."

p. 298 - O suprimento das necessidades culturais dos pobres.

p. 299 - "Mas em seu conjunto, a cidade, e especialmente a nova cidade industrial, continuava sendo um lugar desolado, cujos poucos atrativos - espaços abertos, festas - iam gradativamente diminuindo pela febre das construções, pela fumaça que empestiava a natureza, e pela obrigatoriedade do trabalho incessante, reforçado em casos adequados pela austera disciplina dominical imposta pela classe média. (...) Mas a criação da grande cidade moderna e dos modernos estilos urbanos de vida popular tinham que esperar a segunda metade do século XIX."

Capítulo 15 - A Ciência

15.I

p. 301 - Sobre os movimentos humanos, inclusive na ciência. "A maior parte das atividades humanas tem sua lógica interna, que determina ao menos parte de seu movimento", assim não é de todo dependente de fatores externos como a revolução dupla."

p. 303 - Influências da Revolução Francesa. Criação da Escola Normal Superior. Politécnica.

p. 304 - Florescimento da ciência fora da Europa Ocidental: elemento nacional produto da era revolucionária.

15.II

p 305 - As ciências físicas permaneceram as mesmas desde Newton. Ampliou-se para abarcar o eletro-magnetismo. Química na indústria textil, especialmente para tingimento. Lavoisier. Como a teoria atômica de Dalton foi essencial para o desenvolvimento químico.

p.306 - A química orgânica. Biologia. Células. Matemática.

15.III

p. 307 - Ciências sociais. "(...) marxismo como a mais abrangente síntese das ciências sociais." Evolução da economia política. Malthus.

p. 308 - História. "(...) o que veio a se chamar sociologia (...) nasceu diretamente da crítica ao capitalismo." Marx.

p. 309 - Historiadores. Michelet. Carlyle. Florescimento da filologia impulsionado pela conquista das sociedades não europeias pela Europa. Champolion.

p. 310 - Evolução histórica dos idiomas. "A filologia foi a primeira ciência que considerou a evolução como sua verdadeira essencia. Desde logo teve sorte porque a Bíblia é relativamente silenciosa quanto à história das línguas, ao passo que, como sabem os biólogos e os geólogos, é muito explícita em relação à criação e à história primitiva do mundo."

15.IV

p. 311 - Geologia e biologia. Diferentes teorias da evolução.

p. 312 - Lamarck e outros.

p. 313 - Darwin (após 1848). "Enquanto isso, as teorias da evolução tinham feito surpreendentes progressos no estudo das sociedade." Marx e Engels.

p. 314 - Antropologia etnografia. Etnologia. Ciências sociais do período: grande predisposição materialista. Teorias da raça. Medição de crânios. Frenologia. Teorias raciais.

15.V

p. 315 - Vínculos do desenvolvimento científico e Revolução Industrial, na Inglaterra.

p. 316 - Vínculos do desenvolvimento científico e a Revolução Francesa, na França. Os políticos conservadores da época e sua consideração de que o materialismo e o racionalismo eram subversivos. Galois. Cientistas e nacionalismos.

p. 317 - Novos conceitos matemáticos.

p. 318 - O classicismo e o romantismo nas ciências. A ciência caminhava para o liberalismo burguês. Goethe e a teoria das cores.

p. 319 - Russel. Hegel. Marx e Engels. "(...) até mesmo as ideias falsas e absurdas são fatos e forças históricas."

Capítulo 16 - Rumo a 1848

16.I

p. 321 - Aumento das cifras e números da produção, comércio, população, etc., em comparação com qualquer período anterior.

p. 322 - Crescimento da ciência. Iluminação artificial. Via férrea. Contudo "(...) a revolução industrial criou o mundo mais feio no qual o homem jamais vivera". Pobreza extrema. Outras contradições.

p. 323 - O mundo em 1840: a maior parte da população era camponesa ainda, mas ia diminuindo. Na Grã-Bretanha a população urbana ultrapassa a rual em 1851. Diminuição da escravidão. Apesar disso, a escravidão continuava a crescer no Brasil e Estados Unidos. "Semi-escravidão".

p. 324 - Abolição da servidão, sem que fosse mudada as condições sociais dos camponeses. Movimentos de emancipação camponesa. Rússica. Walter Scott. A aristocracia não mudou muito, mas dependia cada vez mais da burguesia então desprezada. Classe média.

p. 325 - Crescimento vertiginoso da classe trabalhadora. Ainda pequena, entretanto, em comparação com a população do mundo. Classe desorganizada. Monarquia ainda existente em boa parte do mundo. Duas vantagens dos EUA: ausência de vizinhos poderosos que poderiam impedir a expansão e uma taxa muito rápida de expansão. A primeira vantagem seria também partilhada pelo Brasil.

p. 326 - Revolução de 1830: havia trazido condições moderadamente liberais, antidemocráticas e antiaristocráticas. Guerra do Ópio contra a China, única potência não europeia sobrevivente.

p. 327 - Supremacia militar e econômica da Inglaterra. Único fenômeno do domínio hegemônico internacional na história do mundo. Mesmo os grandes impérios orientais eram regionais. Futuro declínio da Grã-Bretanha.

p. 328 - A consciência da Revolução iminente nas massas. "Analisando a década de 1840, é fácil pensar que os socialistas que previram a iminente crise final do capitalismo eram sonhadores que confundiam suas esperanças com as possibilidades reais."

p. 329 - Perspectivas da massa do povo comum. 1848: Revolução Social que mobilizou todas as classes, mas principalmente o insurgimento dos trabalhadores pobres das cidades. "Foi unicamente a sua força que fez cair os antigos regimes (...)"

p. 330 - A ânsia pela queda das monarquias de 1815.

p. 331 - Depressão da metade da década de 1840.

p. 332 - Victor Hugo.